Nota Pública: Rede Justiça Criminal repudia declarações racistas de deputado federal

20.11.2019

A Rede Justiça Criminal repudia as declarações do deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), feitas ontem (19 de novembro) no Plenário da Câmara, quando o parlamentar afirmou que “tem mais negros no crime”. Silveira defendeu que os negros predominam entre os mortos em ações policiais simplesmente porque cometem mais delitos.

Segundo pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 75% das vítimas da violência letal no Brasil são negras, jovens negros morrem mais do que jovens brancos, assim como os policiais negros, que, embora constituam 37% do efetivo das polícias, correspondem a 51,7% dos policiais assassinados.

Às vésperas do Dia da Consciência Negra, o discurso que constitui crime de racismo se apresenta também como negacionismo por desconsiderar que a população negra tem historicamente sofrido as consequências mais sérias das desigualdades e das políticas de segurança que atualmente parecem ter na letalidade um critério de eficácia.

O deputado, sem qualquer constrangimento, colocou a questão em termos que não povoavam o debate público no Brasil há cerca de 100 anos, lembrando as teorias raciológicas do fim do século XIX. Em seu discurso, em plena casa do povo, sob o escudo protetor da imunidade parlamentar, Silveira insinua que comportamentos criminosos são atributos raciais, destilando um preconceito que não deveria estar na boca de um representante oficial dos brasileiros – 54% deles negros.

As organizações que compõem a Rede Justiça Criminal recebem com choque e indignação as declarações do deputado Silveira, e exigem que a Procuradoria Geral da República tome as medidas cíveis e criminais pertinentes ao fato.

Para superar o quadro de violência letal – com e sem a participação de agentes do Estado -, que vitima mais de 7 pessoas negras entre 10 assassinadas, necessitamos de autoridades públicas comprometidas com o fim do racismo e não com sua reprodução e normalização. Caso sigam sem a devida resposta da sociedade e das instituições, declarações como as de Silveira colocam à prova a densidade e consistência de nossa democracia, ameaçando-a frontalmente.

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